HOLOCAUSTO DA SECA

A questão social e o medo da aristocracia urbana

Café do Comércio, inicio do século XX, um dos redutos dos poetas e artistas da Fortaleza antiga.

Todo um aparato coercitivo era justificado pelo medo que as aglomerações de retirantes gerava na população. As doenças contagiosas era um dos espectros que rondavam os Campos de Concentração e aterrorizava as classes dominantes.

Seu combate tinha que ser incessante sob pena de extrapolar os “muros” do campo e atingir as famílias “distintas”. Havia no Campo do Ipu uma média diária de seis a sete mortos. Só entre abril de 1932 e março de 1933 registraram-se, de acordo dados de Kênia Rios, milhares de mortos.

A dificuldade em fazer levantamentos exatos a respeito desses números acontecem em função da pouca documentação a seu respeito, e a documentação que existe, coloca as pessoas mortas dentro dos campos junto ao montante total de pessoas que morreram em decorrência da seca. Para se ter uma ideia entre 1877 e 1913, portanto ainda sem os números da seca de 1915, o governo federal, por intermédio do IOCS estimava que 2 milhões de pessoas haviam morrido em consequência da miséria nas estiagens.

A classe dominante urbana temia as epidemias, e assim as pessoas pobres eram trancadas em lugares onde as epidemias encontravam o ambiente perfeito para se proliferarem, mas isso não era problema para os ricos, desde que o enfermos ficassem longe.

Segregar os retirantes das populações urbanas foi a solução encontrada pelo governo e elites para que o citadinos não tivessem que conviver com as pessoas de "fisionomia marcada pelo rito da miséria".

Foto: Fortaleza Antiga
Holocausto da Seca - OpenBrasil.org

Postagens mais visitadas

Imagem

Referências