HOLOCAUSTO DA SECA

Casarões dos engenheiros ingleses

Casarão dos engenheiros ingleses - Senador Pompeu / CE

O século passado sequer tinha concluído sua segunda década quando o Nordeste brasileiro já agonizava com duas grandes secas, em 1915 e em 1919. Para amenizar o problema da estiagem, o então presidente da república Epitácio Pessoa resolveu perenizar as águas do Rio Banabuiú na construção de uma barragem erguida a três quilômetros do Centro da cidade de Senador Pompeu, encravada na região do Sertão Central do Ceará e distante quase 300 quilômetros de Fortaleza. Nas terras que deveriam ser ocupadas pelas águas, fez-se o cenário de barbárie.

Tudo começou bem antes da seca de 1932, com a chegada dos engenheiros ingleses contratados para comandar a construção da grande obra. Foi necessário transformar aquele recanto árido em uma mini-cidade, a fim de atender as necessidades dos britânicos e acomodar os operários, na grande maioria formados por homens do campo.

Tinha de tudo naquele vilarejo. Sem medir esforços, o Departamento Nacional de Obras Contra a Seca (DNOCS) ergueu casarões que serviram como hospitais, casas de pólvora, uma pequena usina e ainda abrigo para os operários que, obviamente, se mantinham distante das residências dos engenheiros. Eram quase 200 construções arquitetônicas que imprimiam um pedaço da Europa no meio do sertão brasileiro.

O problema, no entanto, é que a obra não fora concluída e os ingleses regressaram a sua terra natal, deixando para traz casarões vazios e um canteiro de obra ameaçado a se transformar em mais um elefante branco do Governo. Enquanto a barragem permanecia sendo um sonho para o sertanejo, a estiagem novamente castigou o sertão com a seca de 1932. Por não ter o que plantar, as famílias ruralistas do Ceará voltavam a ser vencidas pelo desespero de não ter o que comer. Tangidos pela fome e pela sede, a única esperança de sobrevivência para o homem do campo era tentar a vida na cidade grande, migrando em bandos pelas ferrovias que cortavam o Estado.

Os que tiveram a sorte de sair da terra rachada se espalharam pelo Brasil, sobretudo nas regiões Sul e Norte, atraídos pelo ciclo da borracha. Porém as portas abertas logo foram fechadas pelo poder público, que arquitetou um plano a fim de conter a migração em massa e concentrar todos os miseráveis em uma única região, o campo de concentração.

Foto: Estadão
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