HOLOCAUSTO DA SECA

Memória em concreto

Ruínas do prédio principal do campo de concentração de Senador Pompeu / CE

A luta por indenização aos direitos humanos das vítimas dos currais do Governo praticamente já foi vencida pelo tempo, haja vista que boa parte dos que penaram nos sete campos já morreram. A organização SOS Direitos Humanos moveu uma ação civil pública pedindo indenização às famílias das vítimas, mas a Justiça federal julgou improcedente, alegando prescrição do caso.

Agora, a luta de parte da população é conseguir comover o poder público (município e Governo do Estado) para a importância de preservar o patrimônio erguido no sítio arqueológico dos Ingleses. “A luta não tem sido fácil porque o próprio poder público não demonstra interesse de preservar um passado tão penoso cujos responsáveis são eles”, diz Fran Paulo, que integra a comissão popular de pressão pelo tombamento.
No ano passado, a comissão ganhou na Justiça uma ação que já tramitava há 11 anos obrigando o poder municipal a preservar os casarões. “O Dnocs já se comprometeu em repassar o patrimônio. O Estado simplesmente faz vista grossa e o Município diz não ter condições, até recorreram da decisão”, detalha Paulo.

O advogado Valdecy Alves também encabeça a luta pelo patrimônio dos 14 casarões que restaram, justificando que “é necessário preservarmos a nossa história para podermos ter consciência do nosso presente. Não existe futuro quando se negligencia o passado”, argumenta ele. As ambições da comissão são muitas e hoje eles lutam para viabilizar a região como um celeiro de turismo. “Senador Pompeu poderia estar gerando emprego e renda com um ato de Cidadania. Preservar os casarões é respeitar a nossa história”.

Parte de algumas estruturas já está em ruínas com a ação do tempo. Alguns moradores conseguiram com o Dnocs a concessão para morar nos casarões, pagando uma simbólica taxa contratual. As paredes antigas e arquitetura europeia ganharam instalações de antenas parabólicas, remendos que aos poucos vão descaracterizando-os. Em um deles, mora o aposentado José Gomes que confirma fazer reformas para manter a estrutura em pé.

Foto: A/D - Arquivo OpenBrasil.org
Holocausto da Seca - OpenBrasil.org

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