HOLOCAUSTO DA SECA

Seca de 1877 / 1878 / 1879

Milhares de retirantes vindos do sertão, ocupam a estação de Iguatu em 1877.

Seca - 1877 / 1878 / 1879 - Nesse três anos praticamente não choveu. Uma das mais graves secas que atingiram todo o Nordeste. Em Fortaleza, capital da província do Ceará famílias maltrapilhas e famintas iam de porta em porta pedindo água, comida e roupas.

No interior, unidos em grupos, flagelados saqueavam depósitos de mantimentos do governo. Em Juazeiro o padre Cícero se desdobrava para salvar seus fiéis, a seca estava acabando com o povoado em que ele vivia há uns cinco anos.

Sertanejos chegavam acreditando que o governo lhes daria passagens e previsões para migrarem a outras províncias, como a do Amazonas, a migração era vista por muitos como a melhor saída para o problema da seca. A salvação era sair do Ceará.

"A peste e a fome matam mais de quatrocentos por dia", escreveu Rodolfo Teófilo, horrorizado com o que assistia; parado numa esquina, em pouco tempo viu passarem vinte cadáveres. “E as crianças que morrem nos abarracamentos, como são conduzidas! Pela manhã os encarregados de sepultá-las vão recolhendo-as em um grande saco: e, ensacados os cadáveres, é atado aquele sudário de grossa estopa a um pau e conduzido para a sepultura”. As notícias incomodavam a Corte, o imperador chegou a dizer: “Não restará uma joia da Coroa, mas nenhum nordestino morrerá de fome.” Mas uma das promessas demagógicas, por conta da seca.

Milhares sertanejos morreram nas estradas do sertão em direção ao litoral, a grande maioria crianças que não suportavam a distância de uma viagem á pé.

Hoje se calcula que morreram mais de meio milhão de pessoas em consequência das secas de 1877 / 1878 /1879. O engenheiro André Rebouças, abolicionista, negro, respeitado por suas ideias progressistas, calculava em mais de dois milhões as pessoas atingidas pela seca, ainda em novembro de 1877.

Fortaleza, ficou conhecida como capital do desespero. De 21 mil habitantes pelo censo de 1872 passaram a ter 130 mil em 1877.

Foto da criança: Uma das vítimas da Grande Seca, Ceará, 1877. Foto de Joaquim Antônio Correia, “Vítimas da Grande Seca”, Albúmen - Acervo da Fundação Biblioteca Nacional – Brasil

Foto: Acervo da Fundação Biblioteca Nacional
Holocausto da Seca - OpenBrasil.org

Postagens mais visitadas

Imagem

Holocausto da Seca